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Programas sociais melhoram a conduta dos jovens PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marina Almeida   
domingo, 25 de março de 2007

Projetos sociais trazem alterações mais na conduta dos jovens que nos problemas sociais

Melhora das condições de vida das comunidades são lentas e difíceis, por isso programas precisam aproximar-se dessas necessidades de seus participantes, através de parcerias externas com governos e empresas A maior transformação sentida pelos jovens que integram projetos sociais do terceiro setor ocorre no campo pessoal. O resultado das ações é mais visível no comportamento desses participantes individualmente que na comunidade em que vivem. Segundo Marcelo Calegare, que estudou o assunto em sua pesquisa de mestrado do Instituto de Psicologia (IP) da USP, é a partir da percepção dessa limitação que as instituições percebem a necessidade de criar parcerias externas. "Se o terceiro setor se restringir a seus muros sua eficácia diminuirá", diz o pesquisador.

As transformações, segundo Calegare, são comportamentais. Ele explica que essas crianças e jovens passam a ser menos violentos e a respeitar mais as regras coletivas. Demonstram mais respeito entre eles e os educadores, por exemplo. "As grandes transformações sociais não são perceptíveis, levariam vários anos para que pudessem ser notadas, mas essas menores são bastante nítidas", garante o psicólogo. "É fácil perceber uma melhora na integração deles com suas famílias, na escola, no bairro, na igreja e em outros lugares." Para Calegare, os projetos mais eficazes são os que consideram os participantes em suas diversas relações com a sociedade.

"Muitos programas desenvolvem atividades para jovens por meio período, por exemplo. Embora eles gostem e aprendam nessas atividades, ao saírem de lá para ir à escola, o ensino oferecido ainda será muito ruim, o bairro onde ele mora ainda estará cheio de problemas, o transporte será de má qualidade...". O pesquisador acredita que a tendência seja, com a percepção dessa limitação, buscar parcerias com empresas, escolas, poder público e associações, aproximando os projetos desenvolvidos da realidade de seus participantes. Uma outra tentativa de fazer com que as ações sejam mais eficientes é o incentivo à mobilização política, desenvolvimento de projetos de interesse coletivo ou até pelo contato direto com os governos.

"A partir da consciência desses jovens de seu papel no coletivo é que alguma mudança é possível", diz o psicólogo. As dificuldades para organizar mobilizações, entretanto, são grandes, "como em qualquer grupo social, atualmente", lembra. O estudo analisou um programa de promoção da cidadania para crianças e adolescentes da periferia de São Paulo, desenvolvido por uma grande fundação nacional. Esse projeto oferece oficinas de arte-educação, participação política, parcerias com empresas para oferecer oportunidades de trabalho aos jovens, entre outras. A fundação gera experiências pioneiras em várias áreas de atuação que, muitas vezes, chegaram a gerar políticas públicas.


Texto:
Marina Almeida

Mais informações através do email Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo com o pesquisador.
Instituto de Psicologia da USP

Fonte:
Agência USP de Notícias

 

 

Última Atualização ( segunda, 07 de janeiro de 2008 )
 
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