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Distúrbio alimentar pode ser herdado
Os transtornos alimentares, cuja complexidade dificulta o conhecimento das causas, podem também ser herdados. Pesquisadoras da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP identificaram a herança psíquica dessas doenças atravessando gerações. Os resultados da pesquisa foram apresentados no último mês de março pela psicóloga Christiane Baldin Adami Lauand em sua dissertação de mestrado As experiências alimentares de mães com filhas portadoras de transtornos alimentares: investigando a transgeracionalidade.
 
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As razões do sucesso em manter o peso PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcelo Gutierres   
quinta, 29 de março de 2007

As representações sociais de cada pessoa influenciam no seu sucesso em manter o peso

O sucesso em manter o peso após o emagrecimento pode ser influenciado pelas representações sociais de cada indivíduo. A conclusão é da nutricionista Andréia Moutinho em seu mestrado Representações sociais do peso corporal: O que e quem o discurso revela, defendido na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP em fevereiro deste ano. As representações sociais, segundo a pesquisadora, seriam todos os valores, da formação psíquica à ideológica, de uma pessoa.

ImageEla constatou que as pessoas que mantêm o peso possuem representações sociais "bastante similares acerca do emagrecer e do comer, e que tais representações parecem influenciá-los a continuar mantendo o peso". De 2001 a 2003, a nutricionista trabalhou com dois grupos. Um com 21 pessoas que obtiveram sucesso em emagrecer e manter o peso.

O outro com 19, "vítimas" do efeito "sanfona", ou seja, emagreciam e depois recuperavam o peso, chegando em alguns casos a ultrapassá-lo. As entrevistas levaram em conta a história de vida de cada um, seus conceitos e atitudes, as quais ela chama de entrevistas de discurso.

Com isso, reuniu "fragmentos de discursos", isto é, frases em comum que apareceram nos relatos de cada grupo. Esses fragmentos auxiliaram-na a identificar os fatores que ora atuavam como barreira, ora como estímulo na manutenção do peso. Por exemplo: para o primeiro grupo, manter a forma não foi entendido como um sacrifício. Já no segundo, "sacrifício" foi a palavra mais recorrente. "Noção esta que já limita o controle do peso após o emagrecimento", diz a pesquisadora.

Mudança do enfoque

Andréia percebeu que o sucesso na adoção de qualquer tentativa para emagrecer está na mudança do enfoque, ou seja, "entender que emagrecer é um processo e o que se busca na verdade é manter o peso". E mais: "a atenção do profissional e do paciente deve se voltar para isso, pois somente a perda de peso mantida é que é benéfica à saúde e não o emagrecimento em si".

A estudiosa frisa ainda que o método, qualquer que seja, deve proporcionar a autonomia do paciente, pois pessoas de sucesso têm esse perfil. Ela pôde concluir que não é o método em si que faz a pessoa controlar definitivamente o peso, mas sim a relação entre o método e o usuário: quanto mais o método estimular a autonomia mais próximo estará do sucesso na manutenção.

Contudo, ela observa que estamos num mercado imediatista: respostas rápidas para problemas crônicos. "'Emagreça tantos quilos numa semana', este é o slogan vendido, sem a responsabilidade do pós-emagrecimento, ou seja, sem compromisso com a saúde", diz. Nesse aspecto, a nutricionista lembra que há fenômenos da saúde construídos socialmente. A obesidade seria um deles. "Atualmente, o meio mais promove do que previne a obesidade.

Por outro lado, somos tratados como consumidores da estética e ocupamos o desconfortável espaço entre o que é recomendado e o que é vendido." Com isso, as representações sociais influenciam as pessoas em estratégias duradouras ou temporárias para o controle do peso. "Não basta conhecer o valor calórico dos alimentos para mudar o hábito alimentar. Vai mais além. É importante que a pessoa compreenda aspectos subjetivos do consumo alimentar e arme estratégias de defesa contra este ambiente obesogênico em que vivemos."

Como proposta, Andréia recomenda o conhecimento das representações sociais do comer e do emagrecer dos pacientes e a partir disso auxiliá-los a conquistar a autonomia no controle do peso. "Isso pode ajudar a aumentar a taxa de manutenção do peso corporal pós-emagrecimento, que, em verdade, é o que interessa ao indivíduo e à saúde pública."


Texto:
Marcelo Gutierres
Mais informações:
(0XX11) 3066-7771, com Andréia Moutinho ou no (0XX19) 9702-8611.

Fonte:
USP  Notícias

 

 

Última Atualização ( segunda, 07 de janeiro de 2008 )
 
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